Uma planta dicotiledônea, da família Leguminosae, subfamília Papilonoideae, gênero Arachis.
Quando chegaram ao Brasil, os colonizadores lusos aqui já encontraram a cultura do amendoim, originária desta terra, que os índios plantavam e consumiam e que hoje é responsável por grande parte dos Óleos comestíveis que produzimos. Da produção total São Paulo respondia por 70%, principalmente as regiões da Alta Paulista e da Alta Sorocabana. As sementes de amendoim proporcionam elevada rentabilidade de óleo de fácil digestão (45 a 50%), possuindo altos teores de vitaminas.
O amendoim (cientificamente, Arachis hypogaea L.) é uma leguminosa com processo especial de frutificação, denominado geocarpia, em que uma flor aérea, após ser fecundada, produz um fruto subterrâneo. Suas flores são amarelas, agrupadas em número variável ao longo do ramo principal ou também dos ramos secundários, conforme a variedade ou o tipo vegetativo. Todas são potencialmente férteis e hermafroditas, autógamas, com baixa porcentagem de cruzamentos naturais.
Seu período de florescimento é bastante dilatado, havendo épocas de aparecimento de maior número delas, e seu fruto (ou vagem) para a Botânica é um legume. Dependendo das condições ou das características de variedades, a vagem pode apresentar lojas sem sarnentos ou com sementes atrofiadas. Na variedade roxa (tipo vegetativo valência) é uma peculiaridade a ocorrência de uma loja vazia em grande número de vagens. As sementes, provenientes dos óvulos, constituem a parte de maior interesse econômico, devido ao seu elevado teor de óleo comestível, ultrapassando 40% em algumas variedades.
O óleo do amendoim é de fina qualidade, tal como foi classificado por Lewkowitsh em comunicado à Sociedade de Química Industrial de Londres. Preparado com toda a técnica moderna conserva-se perfeitamente bem, não ficando rançoso com facilidade, como acontece com o azeite de dendê e outros óleos. A vantagem que temos na produção do óleo resulta da facilidade na obtenção da matéria prima. Em nosso país, até final da década de 80, o amendoim se comportou muito bem e o aumento progressivo do consumo do óleo tem impelido muitos lavradores a optar por sua cultura. A elevação do consumo vem sendo registrada mesmo nas nações tradicionalmente consumidoras de azeite de oliva.
É geral a opinião de que o óleo de amendoim é de fácil digestão e por isso recomendada às pessoas portadoras de moléstias do aparelho digestivo. Seu valor nutritivo equivale ao de outras gorduras empregadas na alimentação, sejam vegetais ou animais.
Além do emprego na alimentação, utiliza-se o óleo do amendoim na indústria pesqueira para cozimento de sardinhas. Convenientemente refinado para obtenção de maior pureza, é usado para fins medicinais e farmacêuticos, principalmente como veículo para emulsão de produtos injetáveis. O óleo de segunda, não refinado, serve como combustível das lâmpadas dos mineiros. Quando neutro, usa-se como lubrificante. É também excelente matéria-prima para a indústria de saboaria.